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Tecnologia

Brasil começa a produzir células de lítio em 2027

Projeto de R$ 68,6 milhões do Senai, CPQD e Embrapii termina a planta em dezembro de 2026 e mira células cilíndricas e prismáticas, nas químicas LFP e NMC.

Por Felipe Santos21 de setembro de 20266 min de leitura
Em uma linha

O Brasil ainda não fabrica célula de bateria em escala. Um projeto de R$ 68,6 milhões quer vencer o primeiro degrau disso até julho de 2027.

Equipe do projeto reunida no segundo Stage Gate do Projeto Estruturante de Baterias de Íons-Lítio
Segundo Stage Gate do Projeto Estruturante de Baterias de Íons-Lítio, em agosto de 2026. Foto: Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica / Divulgação.

Toda bateria de veículo elétrico vendida no Brasil começa fora daqui. O que se monta aqui é o pacote: as células chegam prontas e a indústria nacional faz a integração, a eletrônica de gerenciamento e a montagem. A célula, que é onde está o valor e a tecnologia, vem importada.

É nesse ponto que mira um projeto do Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica com o CPQD e a Embrapii. São R$ 68,6 milhões, com execução de agosto de 2024 a julho de 2027.

O que está sendo construído

A meta é sair do laboratório e chegar à escala pré-industrial: nível 7 de TRL e MRL, os índices que medem maturidade de tecnologia e de produção. Nível 7 quer dizer processo validado em ambiente parecido com o real, não em bancada.

Cronograma do projeto
  1. Agosto de 2024Início da execução
  2. 19 de agosto de 20262º Stage Gate, com embarque dos equipamentos da linha
  3. Dezembro de 2026Conclusão da planta semi-industrial, em Campinas (SP)
  4. 2027Início da operação, após comissionamento
  5. Julho de 2027Término previsto do projeto

As células

São dois formatos.

Células cilíndricas 21700

Cilíndrica 21700

O padrão mais usado em veículo elétrico, ferramenta portátil e mobilidade leve.

Célula prismática de lítio

Prismática

Perto de 100 Ah, para quem precisa de mais energia.

Protótipos nacionais de células prismáticas de 25 Ah e 100 Ah já saíram do laboratório, em estágio TRL 5.

As químicas são as duas que dominam o mercado: LFP, fosfato de ferro-lítio, e NMC, níquel-manganês-cobalto. A LFP aguenta mais ciclos e é mais estável no calor. A NMC entrega mais energia por quilo. Essa disputa define boa parte dos projetos de veículo elétrico, e ter as duas no escopo evita o país nascer preso a uma só.

Quem está na mesa

O projeto reúne empresas de setores bem diferentes, sinal de que a aposta não é só automotiva. Entre as associadas aparecem Petrobras, Stellantis, Volkswagen, GM, CNH, Marcopolo, WEG, Tupy, Novelis, CBA, Mosaic, Arkema e Grupo Moura, ao lado de instituições de fomento e de empresas menores da cadeia de energia. No segundo Stage Gate, em agosto de 2026, eram cerca de 27 organizações no total.

Montadora, fabricante de ônibus e de caminhão, empresa de energia, fornecedor de alumínio, química e fabricante tradicional de bateria. A célula nacional interessa a quem faz carro, ônibus, armazenamento de energia e motor industrial. É a cadeia inteira na mesma mesa, não um projeto de um setor só.

O que isso não resolve

Escala pré-industrial não é produção em massa. É o degrau antes: provar que o processo funciona fora da bancada, e repete, antes de qualquer decisão de fábrica.

Entre a planta de Campinas e uma célula brasileira dentro de uma moto vendida em loja tem etapa que o projeto não cobre sozinho. A maior é a cadeia de insumos: fabricar célula exige cátodo, ânodo, eletrólito e separador, e quase tudo isso ainda vem de fora, mesmo com o país tendo reservas de lítio.

E não há, no escopo divulgado, data para produção comercial. O que existe é prazo para dominar o processo.

O que isso muda para você

O preço de um elétrico é, em boa parte, o preço da bateria. Enquanto a célula vier de fora, o custo carrega câmbio, frete e imposto, e trocar uma bateria depende de logística internacional.

Célula nacional não derruba preço no ano seguinte. O efeito é mais lento: menos exposição ao câmbio, reposição mais rápida e a chance de projetar pacotes para o uso brasileiro, em vez de adaptar o que foi feito para outro clima e outro trajeto.

É um projeto para acompanhar por anos, não por trimestre.

Fontes

Informações publicadas por AutoData, pv magazine Brasil e Agência Sistema Fiep, e pelo Senai. Foto de abertura: Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica / Divulgação, publicada com autorização. Ilustrações das células: Gtmob. Prazos e especificações podem ser revisados ao longo da execução do projeto.

FS

Felipe Santos

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