Brasil começa a produzir células de lítio em 2027
Projeto de R$ 68,6 milhões do Senai, CPQD e Embrapii termina a planta em dezembro de 2026 e mira células cilíndricas e prismáticas, nas químicas LFP e NMC.
O Brasil ainda não fabrica célula de bateria em escala. Um projeto de R$ 68,6 milhões quer vencer o primeiro degrau disso até julho de 2027.

Toda bateria de veículo elétrico vendida no Brasil começa fora daqui. O que se monta aqui é o pacote: as células chegam prontas e a indústria nacional faz a integração, a eletrônica de gerenciamento e a montagem. A célula, que é onde está o valor e a tecnologia, vem importada.
É nesse ponto que mira um projeto do Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica com o CPQD e a Embrapii. São R$ 68,6 milhões, com execução de agosto de 2024 a julho de 2027.
O que está sendo construído
A meta é sair do laboratório e chegar à escala pré-industrial: nível 7 de TRL e MRL, os índices que medem maturidade de tecnologia e de produção. Nível 7 quer dizer processo validado em ambiente parecido com o real, não em bancada.
- Agosto de 2024Início da execução
- 19 de agosto de 20262º Stage Gate, com embarque dos equipamentos da linha
- Dezembro de 2026Conclusão da planta semi-industrial, em Campinas (SP)
- 2027Início da operação, após comissionamento
- Julho de 2027Término previsto do projeto
As células
São dois formatos.

Cilíndrica 21700
O padrão mais usado em veículo elétrico, ferramenta portátil e mobilidade leve.

Prismática
Perto de 100 Ah, para quem precisa de mais energia.
Protótipos nacionais de células prismáticas de 25 Ah e 100 Ah já saíram do laboratório, em estágio TRL 5.
As químicas são as duas que dominam o mercado: LFP, fosfato de ferro-lítio, e NMC, níquel-manganês-cobalto. A LFP aguenta mais ciclos e é mais estável no calor. A NMC entrega mais energia por quilo. Essa disputa define boa parte dos projetos de veículo elétrico, e ter as duas no escopo evita o país nascer preso a uma só.
Quem está na mesa
O projeto reúne empresas de setores bem diferentes, sinal de que a aposta não é só automotiva. Entre as associadas aparecem Petrobras, Stellantis, Volkswagen, GM, CNH, Marcopolo, WEG, Tupy, Novelis, CBA, Mosaic, Arkema e Grupo Moura, ao lado de instituições de fomento e de empresas menores da cadeia de energia. No segundo Stage Gate, em agosto de 2026, eram cerca de 27 organizações no total.
Montadora, fabricante de ônibus e de caminhão, empresa de energia, fornecedor de alumínio, química e fabricante tradicional de bateria. A célula nacional interessa a quem faz carro, ônibus, armazenamento de energia e motor industrial. É a cadeia inteira na mesma mesa, não um projeto de um setor só.
O que isso não resolve
Escala pré-industrial não é produção em massa. É o degrau antes: provar que o processo funciona fora da bancada, e repete, antes de qualquer decisão de fábrica.
Entre a planta de Campinas e uma célula brasileira dentro de uma moto vendida em loja tem etapa que o projeto não cobre sozinho. A maior é a cadeia de insumos: fabricar célula exige cátodo, ânodo, eletrólito e separador, e quase tudo isso ainda vem de fora, mesmo com o país tendo reservas de lítio.
E não há, no escopo divulgado, data para produção comercial. O que existe é prazo para dominar o processo.
O que isso muda para você
O preço de um elétrico é, em boa parte, o preço da bateria. Enquanto a célula vier de fora, o custo carrega câmbio, frete e imposto, e trocar uma bateria depende de logística internacional.
Célula nacional não derruba preço no ano seguinte. O efeito é mais lento: menos exposição ao câmbio, reposição mais rápida e a chance de projetar pacotes para o uso brasileiro, em vez de adaptar o que foi feito para outro clima e outro trajeto.
É um projeto para acompanhar por anos, não por trimestre.
Informações publicadas por AutoData, pv magazine Brasil e Agência Sistema Fiep, e pelo Senai. Foto de abertura: Instituto Senai de Inovação em Eletroquímica / Divulgação, publicada com autorização. Ilustrações das células: Gtmob. Prazos e especificações podem ser revisados ao longo da execução do projeto.
Felipe Santos
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